Kangibrina

O messianismo exagerado sobre o retorno de Alex

04 10.2012
Por Denis Zanini Lima [ postado às 12:19 ]

Faz uns oito anos que não vejo o meia Alex, ex-Palmeiras, Cruzeiro e Fenarbahçe, jogar. Exatamente desde quando foi parar no futebol turco.

De lá pra cá, só vi alguns gols e jogadas de efeito pela TV e internet. Mais nada. Por isso, seria leviano de minha parte afirmar se ele está jogando bem ou não.

E aposto minha coleção de tampinhas de Grapette que a grande maioria dos torcedores e jornalistas que ufanizam sua volta também não viram mais do que alguns míseros minutos de suas mais recentes atuações.

Daí o meu questionamento quanto ao tom messiânico que vem se dando ao retorno do atleta ao futebol brasileiro. Será que Alex ainda joga tudo isso que esperam dele?

Em todos os veículos de comunicação, Alex tem sido apontado como o jogador que vai fazer a diferença. O craque que irá protagonizar grandes momentos, o líder que irá acertar o meio de campo de qualquer equipe e levá-la à consagração.

Um grande equívoco.

Alex passou quase a última década jogando no futebol turco, uma espécie de segunda divisão do futebol europeu.

Teve uma excelente performance (378 jogos e 185 gols) e virou ídolo local, mas não a ponto de atrair interesse de grandes e médios clubes da Europa.

Real Madrid, Barcelona, Betis, Sevilla, Milan, Inter, Juve, Roma, Porto, Benfica, Paris Saint German, Bordeaux, Lyon, Arsenal, Liverpol, Manchester United e City, Chelsea, Tottenham…

Ninguém quis o cara. Por que será? Porque ser a estrela de uma equipe turca pouco conta. Nenhuma delas tem expressão continental. Alex foi um tubarão num aquário, mas que se fosse para algum clube de expressão do velho continente, viraria um simpático Beta.

Não estou questionando a habilidade de Alex. Está viva na minha memória várias atuações de gala que fez trajando o manto alviverde, inclusive o golaço que fez contra o São Paulo, que está no vídeo acima. Pra mim foi injustiça não levá-lo para a Copa de 2002 (até o Ricardinho foi…)

Não é craque, mas o cara joga muito.

Porém, isso faz 10 anos, minha gente.

A imagem que ficou guardada em nossas mentes e corações é de um atleta que não existe mais.

Evoluiu em muitos aspectos e regrediu em outros, principalmente físicos.

Isso irá causar uma dissonância cognitiva, e, receio, uma grande frustração em parte do público.

Torcedores e imprensa querem ver o Alex de 10 anos atrás. Não verão.

Verão um jogador habilidoso, com passes precisos e visão de jogo. Ponto.

Não esperem mais do que isso.

O time que acolhê-lo terá que montar um esquema especial para que ele jogue. Como acontece com Juninho no Vasco. Se por um lado é bom contar com um jogador habilidoso de mais idade na equipe, por outro, há um ônus enorme a ser pago, com o sacrifício dos demais atletas na marcação.

Isso dará certo? Pode ser, mais o  futebol moderno não dá mais espaço para jogadores que não marcam e correm pouco.

Alguém irá falar do veterano Seedorf (mais velho do que Alex), que vem sendo a estrela do Botafogo. Mas o atleta holandês é o que possui melhor preparo físico do elenco e durante muitos anos atuou na seleção de seu país e nos grandes times europeus (ao contrário de Alex).

Torço para que Alex volte (inclusive para o meu Verdão) e que jogue muito bem. Mas sei que ele irá atuar ao nível de um jogador de 35 anos (ainda com alguns lampejos de genialidade) e não como o jovem que foi o melhor jogador do Brasil no início da década passada.

Será que torcida e imprensa estão preparadas para isso ou, ao não verem o futebol que esperam, passarão a criticá-lo ferozmente, como aconteceu com Ronaldo e, mais recentemente, com Ronaldinho Gaúcho?

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