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Amazon lança locação de livros digitais para Kindle. E agora, editoras?

03 11.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 16:16 ]

A Amazon, maior livraria virtual do mundo, acaba de lançar um serviço de locação de ebooks para Kindle. Segundo o G1, os associados ao programa Amazon Prime terão acesso a cerca de 5 mil títulos, incluindo best-sellers, por US$ 80 dólares anuais.

Cada associado poderá locar 1 obra por mês, sem data de vencimento.  Ou seja, se o usuário utilizar sua cota durante todo o ano, pagará US$ 16 por livro. Mas tem um “detalhe”: o associado também tem acesso a um acervo de 13 mil filmes e programas de TV. Nada mal, hein?

Trata-se de uma notícia emblemática (mais uma) para o mercado editorial. A Amazon está apostando num serviço que, se der certo, irá forçar mudanças significativas no setor.

Está evidente que no mundo digital a “comercialização” do livro não se resume à compra e venda de produto, como no sistema tradicional. Se as editoras achavam que para se adaptar ao universo 2.0 era só migrar o modelo de negócio do papel para o digital, estavam redondamente (ou melhor, retangularmente) enganadas.

O horizonte agora é bem mais amplo.

E, ao contrário do que muitas empresas do setor imaginam, isso será bom para elas e seus stakeholders (novos e antigos), permitindo a maximização de ganhos.

O que as editoras precisam ter em mente é que, diferentemente do papel, a plataforma digital permite uma infinidade de usos.

Uma das possibilidades, principalmente no que se refere ao conteúdo para tablets, é o uso de vídeos, sons e conexão às redes sociais.

Ora, porque não, dentro de cada livro, incluir essas vantagens? Fazer um video-chat com o autor do livro? Criar fóruns de discussão? Ouvir as músicas que são citadas pelo protagonista no decorrer da história? Disponibilizar teasers-clips? Permitir com que seja possível acessar comentários de outros leitores ou que se cole trechos de livros em suas páginas nas redes sociais? Porque não criar concursos culturais e enquetes sobre a história?

Indo mais além: porque não fazer product placement em livros? Por que não vender cotas de patrocínio para capa, contracapa e capítulos? Porque não comercializar palavras-chave? Dentro do contexto certo, não há pecado nenhum nisso. Ouvi dizer que um tal de Google fez isso e tá faturando horrores…

E porque, isso sendo feito, não disponibilizar gratuitamente a obra ao leitor, em troca apenas do preenchimento de um simples cadastro?

O papel das editoras no século 21 é o mesmo de tempos atrás: produzir conteúdo e disseminar conhecimento.

A grande diferença é que agora ela pode fazer isso de diversas outras formas, permitindo que sua receita não venha única e exclusivamente da venda de livros.