Kangibrina

Muito prazer, Berni

09 09.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 13:29 ]

Nesse feriado de Independência tive a oportunidade de conhecer, no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, o trabalho de Berni.

Pouco conhecido no Brasil, Delésio Antonio Berni (1905-1981) é um dos maiores artistas plásticos do modernismo latinoamericano.

Com um forte viés social e permeada pelo uso de técnicas mistas, como xilogravura, óleo sobre tela e colagem, suas obras são viscerais, reflexivas, desconcertantes.

Os protagonistas de suas telas são operários, lavradores, moradores de rua, prostitutas. Todos retratados de forma desperançosa, com rostos gigantes, olhos amendoados, cores intensas.

A série Juanito Laguna, por exemplo, mostra as desventuras de um menino que migra com a família do interior para a cidade, vivendo em condições de extrema pobreza.

A paisagem é composta pela adição de restos de materiais, como latas, papelão, brinquedos. Certamente, Berni foi uma grande inspiração para Vik Muniz.

A mostra cobre 50 anos da produção do artista, sendo possível observar vários estilos. Do novo realismo dos anos 1930, passando pelas manifestações sociais dos anos 1950 e terminando com a repressão política e crítica ao consumismo dos anos 1970.

Não por acaso, até hoje suas obras são utilizadas em cartazes de sindicatos e ONGs argentinas. Andando pelas ruas do centro, tive a oportunidade de ver alguns desses materiais colados em postes e parades.

Vale a pena ver. A exposição fica em cartaz até 3 de outubro.

PS: Por si só o Belas Artes é um grande passeio. São mais de 10 mil objetos, entre pinturas, esculturas, objetos de época. Entrada gratuita.