Kangibrina

Obama, Coelho, Machado

28 03.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 13:09 ]

Em artigo publicado hoje no jornal Folha de São Paulo, o advogado Celso Cintra Mori alegou que Barack Obama cometeu gafe ao citar Paulo Coelho em seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O missivista alega que Coelho “não é uma unanimidade como literato entre os formadores de opinião brasileiros” e defende que o presidente ianque deveria ter citado Machado de Assis, “mulato como ele, brilhante como poucos, e que só não foi unanimidade universal porque escreveu em português em época em que a tradução, edição e comercialização internacionais não haviam alcançado os patamares atuais”.

Peraí. Concordo integralmente com o advogado que o Mago não é muito bem quisto por nossa intelligentsia, e que uma citação do Bruxo do Cosme Velho, o patrono de nossas letras, seria muito mais elegante para a situação, mas…gafe?

Por que?

Que mal há em citar o escritor brasileiro que mais vendeu livros no mundo e que mais tem obras traduzidas em outros idiomas, constando até no Guiness Book?

Que mal há em enaltecer um dos poucos escribas nascidos abaixo da Linha do Equador que é reconhecido nas ruas e é obrigado a parar para dar autógrafos e posar para fotos com fãs?

A qualidade de seu trabalho não é boa? Não agrada a todos? Tudo bem. Mas por acaso ele já fez algo que desabonasse nosso país? Ofendeu nossa cultura? Menosprezou nossos valores? Chamou o Silvio Santos de velho gagá e a Hebe de velha tarada?

Não!

Gafe teria sido se Obama citasse Gabriel Garcia Marques ou Mario Vargas Llosa como sendo brasileiros.

Goste-se ou não de seu trabalho (no meu caso, fico com a última escolha), não se pode negar que Coelho é um autor internacionalmente conhecido e um vencedor nato.

O cara supera diariamente inúmeros preconceitos para levar seu trabalho adiante. E leva, com muita dignidade.

E outra: Machado de Assis, unanimidade? Pra quem, cara-pálida?

Pode ser para mim, para o advogado e para milhões de pessoas que o cultuam como o melhor escritor tupiniquim de todos os tempos.

Mas será que ele o é para o povo brasileiro?

Eu aposto que se escolhermos 100 pessoas na rua aleatoriamente e perguntarmos se elas sabem quem foi Machado de Assis, não teremos mais do que 50% de respostas positivas. E se perguntarmos se elas já leram alguma de suas obras, o resultado não passará de 20%.

Façamos o mesmo teste, só que com Paulo Coelho. Garanto que esse numero será bem maior…

Esse posicionamento do advogado contra Paulo Coelho me fez lembrar a saravaida de críticas que o pagadoeiro Alexandre Pires recebeu quando foi cantar para o ex-presidente George Bush, como representante da cultura popular brasileira.

Ah, ele não representa a cultura verde-amarela? E quem representa? O mestre Chico Buarque, poliglota, criado no exterior a leite de pera?

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal, que tira sons fantásticos de qualquer objeto?

MC Serginho, o criador da Eguinha Pocotó?

Difícil responder, não?

Mas, qual o problema de um pagodeiro cantar pro Bush?

Veja: eu DETESTO pagode e muito mais George Bush.

Mas não posso me opor a um cara que com o suor do seu próprio rosto, com trabalho honesto, largou o emprego numa lavanderia no interior de Minas para tentar a vida como artista. E conseguiu!

Em comum, Coelho e Pires são vencedores, tipos de sujeitos que os americanos, com muita razão, idolatram.

Infelizmente, no Brasil, fazer sucesso e estar vivo, para um bom número de pessoas, é sinônimo de vergonha.

Podem me chamar de vendido, mas gosto muito mais dos vencedores que os sobrinhos do Tio Sam veneram.

E aposto que Machado de Assis, outro grande vencedor, concordaria comigo…

Os (novos) donos do (novo) mundo

20 02.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 14:13 ]

Reparem bem na foto acima, que eu surrupiei do Mashable.

Ela foi tirada na última quinta-feira (17), no jantar que o presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu para os barões do Vale do Silício.

Steve Jobs (ou um sósia dele, já que, dizem os maus bites, ele está muito doente e tem poucos meses de vida), MarK Zuckerberg (Facebook), Dick Costolo (Twitter) e Erick Schmidt (Google) foram alguns dos presentes.

Steve Ballmer (Microsoft) não foi convidado pois já esteve em duas audiências com o presidente neste ano.

Essa imagem emblemática tem um significado muito especial pois nos mostra quem são os (novos) donos do (novo) mundo.

Você pode até recusar, dizer que é um exagero, mas nossas vidas estão nas mãos e mentes desses caras.

São eles que ditam o que vamos consumir, como vamos nos comportar, no que vamos acreditar.

Se somados os faturamentos das empresas que eles comandam, certamente seria superior ao PIB da grande maioria dos países.

Não demorará muito para que cada habitante desse planetinha azul tenha um smartphone, tablet, ou o que mais inventarem.

O futuro que era mostrado em minha infância, definitivamente chegou.

Sei que os ramos mais tradicionais, como o automobilístico, o petrolífero e o têxtil ainda faturam horrores, mas quem manda agora é essa turminha aí da foto.

Se você tem dúvidas, pode checar no Google do seu Mac, e depois mandar um tuíte a respeito.

PS1: repararam quem são as pessoas sentadas mais próximas ao presidente? Jobs e Zuckerberg…

PS2: se daqui quatro anos o próximo presidente dos EUA fizer novamente uma reunião com os donos do novo mundo, será que os convidados serçao os mesmos? Duvido: do jeito que o mundo anda em um estado Beta permanente, certamente uns 40% dessa mesa serão substituídos.