Kangibrina

Bienal: artes e benchmark

15 11.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 19:02 ]

A Bienal Internacional de Artes de São Paulo, que fica em cartaz até 12 de dezembro no Pavilhão do Ibirapuera, é um ótimo lugar para sua empresa fazer benchmark.

Como assim, Bial?

Benchmark? Lá não é onde uns caras estranhos expõem umas paradas cabeça, tipo um carro feito de arame farpado e enfeitado com pipoca, um liquidificador que quando acionado executa serenatas, uma foca empalhada com cabeça de elefante e coisas do gênero ?

Sim. E não.

De fato, a proposta central da Bienal é dar espaço a produção artística contemporânea, buscando abrir caminhos e consolidar tendências.

Por isso, muita coisa, mas muita coisa mesmo, é exposta, independentemente da qualidade ou da aceitação inicial da maioria, objetivando, primeiro, o impacto nas pessoas, para que posteriormente gere uma reflexão.

Uma parte recebe o crivo da crítica e do público e, após algum tempo, alcança o status de arte. A outra parte volta a ser simplesmente matéria-prima. Ou lixo.

Ok, Pedro Bó. Mas onde entra o benchmark nessa história?

Simples.

As artes, de uma maneira geral, estão anos luz à frente das corporações no que se refere à criatividade e experimentação.

Como não há regras, pudores ou necessidade de lucro, os artistas têm carta branca para pesquisar novos materiais, tentar junções inusitadas, desafiar o impossível, propor o absurdo.

As peças são fruto da imaginação com uma proposta – geralmente inovadora – de execução.

Ora, a palavra de ordem no mundo corporativo não é de inovar é criar formas de experimentação da marca com o consumidor?

Pois aí está.

Na Bienal, criatividade e experimentação não faltam.

As pessoas páram em frente às obras, comentam, riem, filmam, tiram fotos, manipulam, interagem com elas, e por vezes ficam minutos olhando, de um lado, depois de outro, se agacham, inclinam a cabeça.

Gostando-se ou não da obra, as pessoas passam por uma forte experiência. Que certamente ficarão em seus corações e mentes por algum tempo.

Uma de minhas obras favoritas, “Longe Daqui, Aqui Mesmo”, é uma casa labiríntica de alvenaria simples, com tijolos à mostra, cujas portas são estampadas com capas de livros famosos. No centro da casa, uma sala, com vários livros e um espaço para leitura. Essa biblioteca é composta por livros que qualquer pessoa pode doar na hora. Ou seja: é uma obra em constante expansão, que conta com a participação direta do público.

Fantástico, não?

Há também uma obra com vários beliches juntos em que você pode se deitar, outra em que você entra numa espécie de útero-caverna, outras que estão cobertas e você precisa da ajuda de outra pessoa (lembram daquela Coke Machine de dois andares?) para vê-las, etc, etc, etc

Por essas e por outras, meu amigo, se o pessoal de criação ou do branding estiver sem muitas idéias, recomende uma visita urgente à Bienal.

Garanto que ninguém sairá de lá da mesma maneira que chegou.