Kangibrina

Um filme delicado

07 02.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 14:03 ]

Curiosamente, tenho escrito muito pouco sobre cinema no blog.

Digo curiosamente pois, além de ser algo que gosto muito, descobri recentemente uma locadora perto de casa, com um acervo fantástico, que nas quartas oferece a locação de cinco filmes (não-lançamentos, of course my horse) por R$ 10.

E detalhe: você só devolve na segunda. Promoção quase obscena essa, não?

Por conta disso, nos últimos meses, vi e revi inúmeros filmes bacanas: Morangos silvestres, Acossado, Boulevard do Crime, Metrópoles, Nosferatu, Cenas de Casamento, 8 Mulheres 1/2, Apocalipse Now, 2001, Encouraçado Potemkin e muitos outros.

Mas esses são todos filmes famosos, já dissecados de todas as formas e estilos. Escrever sobre eles seria chover no molhado.

Quero falar de um filme nacional, pouco conhecido, chamado Crime delicado (2005).

Difícil acreditar que Beto Brant esteja na direção desse belíssimo longa-metragem. Minha incredulidade não é de forma nenhuma uma insinuação que o jovem diretor não tenha talento. Pelo contrário. Considero-o um dos mais criativos e competentes cineastas da nova geração.

Minha estranheza reside no fato que seu estilo narrativo mudou drasticamente. Brant usou e abusou da experimentação, interlancado o veio principal da história com cenas de peças de teatro e depoimentos em estilo documental.

Além disso, diferentemente de seus projetos anteriores – Os Matadores, Ação entre amigos e O Invasor (meu favorito), Crime delicado não traz violência física, tiroteios e assassinatos.

Há violência sim, mas uma violência verbal, quase metafísica.

O protagonista é Antonio (Marco Ricca, pra variar excelente), um crítico teatral amargurado, descrente na vida e no amor, que subitamente se apaixona por uma bela jovem, chamada Inês.

Mas Antonio é surpreendido por dois fatos: 1) Inês não tem uma perna e 2) vive no ateliê de um artista plástico, que a usa como modelo para pinturas digamos, um pouco heterodoxas (pra não dizer pornográficas).

A partir daí o personagem principal entra numa paranóia obsessiva, um ciúme doentio, que o leva a cometer o tal “crime delicado”.

Não entrarei em detalhes para não cometer nenhum spoiler.

Recomendo.

PS1: A cena no boteco em que Marco Ricca é espectador de três diálogos memoráveis vale o filme.
PS2: Assistam ao making of. É quase outro filme