Kangibrina

O mestre da xilogravura

08 10.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 12:22 ]

Em época de Bienal, é natural surgir a pergunta: quem é o melhor artista plástico brasileiro da atualidade?
 
OsGêmeos? Siron Franco? Tunga? Cildo Meirelles? Vik Muniz? Claudio Tozzi? Romero Brito? Tomie Ohtake?
 
Pra mim, nenhum deles.
 
São todos ótimos, é verdade. E adoro seus trabalhos.
 
Mas o cara, o cara, o cara mesmo é Gilvan Samico.
 
“Ah, vai. Não inventa. Aposto que esse cara nem existe”.
 
Existe sim.
 
Samico é um xilogravurista pernambucano das antigas, discípulo de Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo, que vive enfurnado em seu ateliê em Olinda.
 
Suas obras misturam ilustrações de cordel com figuras e cenas místicas e bíblicas, e se sobressaem pela simetria e a utilização de elementos mínimos, com poucas cores e traços personalistas.
 
Aí reside o charme de sua obras.
 
Elas são intensas, fortes, mas feitas de forma minimalista, ao contrário da maioria das megaproduções atuais, com zilhões de materiais, cores e suportes.
 
Tanta riqueza com tão pouco não é um processo fácil.
 
Samico produz apenas um xilo por ano . Ele trabalha em esboços de forma exaustiva, guiado pelo perfeccionismo, e só sossega quando atinge um resultado que julga satisfatório para se juntar ao seu universo mágico.
 
Tive a oportunidade de ver uma exposição dele na Pinacoteca de São Paulo, há uns cinco anos.
 
Babei. E não foi pouco.
 
Saí de lá maravilhado e com uma grande certeza: um dia terei um obra original de Samico na parede de casa.
 
Mais obras do cabra você confere aqui.