Kangibrina

Aula prática sobre como NÃO prospectar clientes

25 01.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 15:00 ]

Das campanhas de telefonia móvel que estão no ar as que mais gosto são as da Tim. O uso do Blue Man Group foi uma sacada de gênio para se diferenciar e cativar clientes pelo humor, criatividade e tecnologia.

Contudo, é preciso que a equipe de vendas e de relacionamento com o consumidor estejam em fina sintonia com essa mentalidade. Senão, nada disso adianta.

Explico.

Dias desses, passeando no shopping, me deparei com uma loja da operadora. Mesmo não sendo cliente da Tim, resolvi entrar para pedir uma ajuda simples: colocar a película protetora no meu iPhone.

Ok, riam à vontade. Eu espero vocês recuperarem o fôlego. Mas o fato é que minha falta de habilidade manual é tamanha que não consigo colocar a proteção sem que fiquem enormes bolhas de ar sobre a tela.

Expliquei a situação para uma atendente à porta, que, imbuída do velho e bom espírito samaritano, resolveu me ajudar.

A boa alma bem que tentou. Puxou daqui, esticou de lá, mas não conseguiu. As bolhas insistiam em permanecer. Sem muitas alternativas, ela levou o aparelho para a superiora dela dar uma olhada. Pra meu espanto, a menina tomou uma sonora bronca, na minha frente:

- Fulana, eu já não te disse que a gente não faz esse tipo de serviço?

Com muita, mas muita má vontade, a poderosa chefona pegou meu celular e se pôs a tentar ajeitar película. Passou flanela, usou uma régua para nivelar o bagulho, mas nada.

“O plástico está velho”. Foi o veredito dela, devolvendo o celular para atendente.

Detalhe: em nenhum momento a tal superiora olhou para mim (e eu nem sou assim tão feio) que estava a menos de um metro dela.

A menina me devolveu o iPhone e perguntei se havia película para vender. Constrangida, disse que não.

Vejam: eu fiquei uns dez minutos na loja e em nenhum momento eles tentaram fazer uma prospecção. Não perguntaram se eu era cliente da Tim, se queria conhecer os planos ou novos aparelhos, etc, etc, etc.

Pelo contrário. Fizeram de tudo para que eu me sentisse um estorvo e saísse de lá o mais rápido possível.

Foi o que fiz. Andei mais alguns metros e vi um loja de produtos de informática. Comprei a película e o vendedor ainda colocou para mim.

Confesso que não morro de amores por minha atual operadora. Mas se um dia decidir mudar certamente não será para a Tim.

E não há Blue Man que me demova disso.