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Palmeiras e o caso Wesley: crowdfunding, mendicância ou jogada de marketing?

27 02.2012
Por Denis Zanini Lima [ postado às 16:36 ]

O Palmeiras está sendo o primeiro grande clube brasileiro a utilizar o serviço do MOP (My Own Player), site em que torcedores contribuem com cotas em dinheiro para que seu time do coração contrate jogadores.

O atleta em questão é o meia Wesley, de 24 anos, cujos direitos pertencem ao Werder Bremen, clube de futebol alemão. Para contratar o jogador o Palmeiras precisa arrecadar aproximadamente R$ 21 milhões até o dia 25 de março para pagar a agremiação.

Caso o valor não seja alcançado, a contribuição será devolvida aos participantes. No momento em que este post está sendo redigido, 24 horas depois do lançamento da campanha Wesley no Verdão, cerca de R$ 157 mil foram arrecadados.

Se essa média de arrecadação se mantiver, o Palmeiras conseguirá arrecadar em 30 dias pouco mais de R$ 4,7 milhões, ou seja, cerca de 25% do total necessário, impedindo que a transferência seja concretizada.

Toda essa movimentação em torno da contratação de Wesley me fez pensar em muitas coisas, boas e ruins (informação importante para você, leitor: sou parmerista fanático. Sim, fazer o que?), e intrinsecamente ligadas. Vou sustentar minha linha de raciocínio sob o tripé: 1) positivo, 2) negativo e 3) Uau, que puta jogada de marketing.

Do ponto de vista positivo, não há como negar que o Palmeiras está sendo extremamente ousado ao apostar no conceito de crowdfunding para contratação do meia.

Para quem não sabe, crowdfunding é um movimento colaborativo de arrecadação de dinheiro via mídias sociais, visando a realização de um projeto, oferecendo alguma contrapartida ao endossante (no caso, a contratação do jogador).

No Brasil, o site mais conhecido de crowdfunding é o Catarse. Essa postura vanguardista, para um clube que é assombrado constantemente por mentes obscuras da Camorra, é algo alentador e que dá esperanças à torcida por dias melhores.

Do ponto de vista negativo, tem o fato da diretoria do clube, depois de quase um mês de negociações, não ter conseguido levantar recursos para selar a transação.

Conclusão: o presidente Arnaldo Tirone e companhia limitada tiveram que assinar o atestado de incompetência e mendigar ajuda para o pobre do torcedor. Um papelão!

E se essa vaquinha não der certo, o clube certamente será protagonista de um dos maiores micos da história do futebol brasileiro. E aqui cabe mais uma consideração: R$ 21 milhões por um jogador mediano como o Wesley? Francamente…

Agora, tem a última alternativa, que, se for verdadeira, realmente será uma jogada genial de marketing.

A hipótese que passei a levar em consideração é a seguinte: o MOP estava querendo receber os holofotes da mídia para começar a atuar no futebol brasileiro.

Primeiro tentou acordo com o Corinthians para trazer o volante Christian e depois o São Paulo para viabilizar o retorno do atacante Nilmar. Não deu certo.

O Palmeiras apareceu então como opção. E já tinha um jogador praticamente engatilhado, o tal Wesley que, de reforço garantido e praticamente anunciado, passou a ser dúvida.

Tudo bem que a atual direção palmeirense é um poço de incompetência, mas achei muito estranha essa repentina ausência de crédito bancário.

Veja: o clube alemão já havia aceitado a proposta alviverde e liberou o jogador, que por sua vez veio para o Brasil e acertou os salários e o Palmeiras já fez sua pré-inscrição no Campeonato Paulista.

Estranho, não? Seria uma imensa irresponsabilidade de todos os envolvidos (Palmeiras, Werder, Wesley, que inclusive já está treinando com o elenco) chegar a esse ponto sem a mínima garantia.

Ao que parece, o Palmeiras tem o dinheiro, mas como surgiu essa proposta para divulgar o My Own Player (espero que tenha sido um acordo bom para o clube, e não para o dirigentes) a estratégia foi criar essa novelinha, que conta com um final feliz garantido.

Se essa hipótese estiver correta, o que vai acontecer é que, faltando poucas horas para encerramento do prazo de pagamento, o Palmeiras, um banco ou qualquer outra instituição fará o depósito com o valor faltante e Wesley será contratado.

Com isso, torcedores, dirigentes, o jogador e, principalmente o MOP, ficarão felizes. Com o sucesso da empreitada alviverde, outros clubes ficarão estimulados a utilizar o crowdfunding para contratar atletas.

Agora, se essa hipótese for verdadeira e vier a público, o que vão pensar os torcedores que colaboraram com o fundo, sendo que o clube tinha o dinheiro? Verdadeiros idiotas, né?

Acho que, independentemente do desfecho dessa história, é necessário fazer uma apuração profunda para saber quem de fato está por trás dessa parceria envolvendo Palmeiras e o MOP.