Kangibrina

Porque escolhemos a bunda mais gostosa

03 12.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 3:50 ]

Acredito que muitos devam conhecer a piada (com pequenas variações de local e personagens).

Um alto executivo de uma multinacional precisava escolher uma entre três candidatas para o posto de assistente.

Depois de uma batelada de testes e ainda em dúvida, decide lançar o desafio final. Dá R$ 10 mil para cada uma com a seguinte recomendação:

_Utilize essa verba para provar que você é a profissional certa para o cargo.

A primeira organizou um brunch com potenciais clientes que resultou em um aumento de vendas para a empresa.

A segunda redecorou a sala do executivo com novos móveis e quadros, que ficou tão bonita que todos que entravam nela passaram a elogiá-la.

Jà a terceira organizou um concurso interno para incentivar a economia de materiais de escritório, distribuindo polpudos prêmios para os vencedores.

Ao final do teste qual candidata o executivo escolheu?

Ora, a que tinha a da bunda mais gostosa, é óbvio!

Lembrei da anedota (um tanto quanto machista, diga-se de passagem) por conta do ótimo livro que estou lendo chamado Previsivelmente Irracional, de Dan Ariely.

Por meio de dezenas de pesquisas, o autor quebra paradigmas e nos mostra como decisões que julgamos calcadas no racional, em fatos ponderados (como a compra de produtos), na verdade são fruto de uma série de cognações meramente emocionais.

Ou, num português castiço, porquê, tanto homens quanto mulheres, optam pela bunda mais gostosa da piada.

Ele explica o motivo pelo qual os participantes de uma degustação gratuita de cerveja aprovam o produto mesmo que ela contenha vinagre. Ou o porquê a grande maioria das pessoas optaria por receber um vale-presente de R$ 10 do que pagar R$ 4 por um vale de R$ 15.

Esclarece a razão pela qual nos sentimos melhor consumindo remédios caros do que baratos, mesmo que todos os componentes sejam iguais e o porquê não nos importamos de andar 15 minutos para comprar uma caneta R$ 5 reais mais barata em outra loja enquanto pouparíamos a caminhada pela economia do mesmo valor se estivéssemos comprando um terno.

As empresas que dominam essa ciência usam e abusam dela, manipulando os consumidores ao seu bel prazer. Talvez o case dos pacotes de assinatura da The Economist seja o mais emblemático deles.

O livro também aborda as decisões que tomamos no campo pessoal, como a escolha de nossa postura social dependendo do ambiente e das convenções vigentes, e os motivos que nos levam a namorar a fulana e não a beltrana.

Ariely é um economista especilista em neurociência com uma história muito peculiar. No início da vida adulta sofreu uma grave queimadura que o obrigou a ficar anos internado e ser submetido a dezenas de cirurgias.

Nessa tempo desenvolveu uma série de teorias que foi pondo em prática assim que teve alta, resultando nessa cativante obra.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto recomendo a palestra que Ariely fez para os profissionais do Google.