Kangibrina

As mídias sociais e a queda do último faraó

11 02.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 17:01 ]

Há exatamente um ano estive no Egito, a turismo.

Viagem maravilhosa, que incluiu visita às pirâmides, mesquitas, museus e antigos templos, passeio de camelo e um cruzeiro pelo Nilo.

Por mais que o roteiro se restringisse ao pólo turístico, com bons hotéis, traslados em vans climatizadas e restaurantes em nível internacional, era impossível ficar incólume à pobreza da população.

Transitando pelas ruas do Cairo, Luxor e outras cidades, tive a impressão (ou melhor, a convicção) que o Egito era composto por uma grande classe D brasileira.

Não vi favelas nem casas de madeira, é verdade. Mendigos, menos do que em São Paulo. Mas a quase totalidade das casas não tinha acabamento nenhum. Eram pequenas, antigas, mal-cuidadas, de alvenaria simples. As janelas não tinham esquadrias, até pelo fato de pouco chover na região.

No horizonte predominavam os prédios, alguns com tendência a virar ruínas, uns grudados nos outros, repletos de parabólicas (podem apostar que a derrubada de Mubarak começou por aí, pelo contato das pessoas, via TV, com a feliz “realidade” dos comerciais de margarina do Ocidente).

As ruas eram um caos completo. Muita, mas muita sujeira mesmo, trânsito sem nenhuma sinalização (semáforo é artigo de luxo por lá), gente andando de um lado para o outro. Era impossível encontrar um carro sem nenhum amassado.

As pessoas se vestiam de forma bem simples, certamente por terem poucas opções no armário. Nosso guia usou praticamente a mesma roupa durante os sete dias de viagem.

A gorjeta é oficializada por lá, e fonte de sobrevivência de muita gente, já que grande parte das pessoas que trabalha com turismo não recebe salário.

Apesar da pobreza, quase todo mundo tinha celular. Aqui e ali, havia modestas e improvisadas lan-houses. Na imagem que abre este post, estou em uma, na cidade de Luxor.

Certamente, quando lá estive, os revolucionários 2.0 já estavam se mobilizando para tirar o ditador do poder.

Tendo as lan-houses como QGs, eles começaram a virilizar o sentimento de insatisfação e a necessidade de se fazer algo.

Ao invés de pistolas, metralhadoras e tanques, os egípcios usaram como armas twitteres, youtubes e facebooks.

E deu certo.

Lógico que não sou ingênuo de imaginar que bastou isso. Já havia articulações mais fortes, no campo político e econômico, que garantiram o sucesso da revolução.

Entretanto, como entusiasta das mídias sociais, fico feliz que elas tenham ajudado a acender o estopim desse movimento.

E mais feliz ainda pelo tombo de mais um ditador.

Espero que Mubarak, definitivamente, tenha sido o último faraó do Egito.

Egípcios, bem-vindos à liberdade. Real e virtual.

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