Kangibrina

Escola de ferreiro, MBA de pau

27 08.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 21:29 ]

Escolher onde cursar um MBA não é algo tão simples como comprar um pacote de jujubas ou uma lata de Parquetina. É uma decisão que requer pesquisa e reflexão. Afinal, um MBA demanda um bocado de tempo e dinheiro.

Por isso, antes de bater o martelo sobre onde faria o curso, programei-me para conhecer todos os locais que havia pré-selecionado: Casper, GV, ESPM e Ibmec.

Minha intenção era tirar dúvidas sobre a grade curricular, checar in loco a infra-estrutura disponível (salas, biblioteca, estacionamento, etc), pesar pós e contras e aí sim tomar minha decisão.

Nada demais. Quando vamos comprar um carro não inundamos os vendedores com um milhão de perguntas, não comparamos preços e fazemos test-drive?

Pois é. E nos MBAs deveria ser assim também, correto?

Errado. Essa tarefa revelou-me algo que não podia imaginar: as escolas de marketing – ao contrário do que adoram pregar nas aulas para os outros – não estão preparadas para prospectar e atrair clientes. Mesmo que esse cliente vá até lá e mostre todo o interesse do mundo em se matricular.

GV

Minha primeira opção era a GV. Escola de grife. Reputação irretocável. E o melhor: com localização próxima ao meu trabalho.

Já no primeiro contato uma decepção. A telefonista parecia ter sido treinada pelo Centro de Telemarketing Dulcídio Wanderlei Boschilla. Uma quadrúpede com headset. Mas sua grosseria não foi nada comparada à minha decepção ao saber que a escola não fazia nenhuma palestra de apresentação sobre o curso.

Coisa que qualquer cursinho de corte e costura tem.

Mesmo assim resolvi ir lá. Chegando à recepção fui orientado a procurar a secretaria. Depois de um chá de cadeira de meia hora, uma mocinha antipática me atendeu. Quando falei que queria saber mais sobre carga horária, bibliografia, etc ela me deu uma brochura com o mesmo conteúdo que já tinha visto na internet. E que não havia ninguém pra me dar mais informações.

Disse então que queria conhecer as salas. Com muito mau humor ela me levou até uma delas. Como estava sendo utilizada, só pude dar uma olhada pelo postigo.

Fui tratado como um verdadeiro estorvo.

Vejam que absurdo. Fui até a GV, disse que queria dar meu suado dinheirinho para eles e eles recusaram!

Casper

Fui então para a escolha seguinte: a Casper Líbero, que oferece pós-graduação na área.

Lá também não havia palestra de apresentação. Mesmo assim, mais uma vez, eu, capricorniano teimoso, fui. O rapaz do balcão – sim, não era um departamento, ou uma secretaria, era um balcão, localizado num canto – me atendeu de forma atenciosa..

Mas quando pedi mais informações sobre o curso, o que ele fez foi imprimir o conteúdo disponível na internet e me entregar. Quando eu falei que queria conhecer a sala de aula, não se fez de rogado:

- É só virar ali à esquerda, a ultima sala do corredor.

Sem comentários.

ESPM e Ibmec

Com a ESPM e a Ibmec as coisas melhoraram um pouco. Ambas ofereciam palestra de apresentação com distribuição de um perfil institucional caprichado.

E quem estava na linha de frente não eram aborígenes treinados. Eram diretores das escolas. Caras que fundaram a bagaça. Que têm participação direta nos lucros e, por isso, grande interesse em cativar alunos.

Aleluia! Finalmente gente que respeita o cliente.

No Ibmec ainda ofereceram um pequeno buffet e um tour pelo prédio. Perfeito.

Fiquei encantado. A Ibmec era minha primeira opção. Mas o preço e a distância me fizeram desistir.

Sobrou então a ESPM. Que apresentava uma boa relação custo benefício além de grande prestígio no mercado. É a primeira em top of mind em matéria de Propaganda e Marketing.

Ok. Vamos nessa.

Antes da matrícula era necessário fazer uma prova seletiva de conhecimentos gerais. Sem problemas. Liguei lá para saber mais informações.

E aí a decepção voltou.

A atendente era um azedume só. Passou poucas informações e com desdém. Mas será que ela não estava num mau dia? Não. Nos outros contatos (por telefone e pessoalmente) ela revelou a mesmo postura.

Será que o RH de uma escola de Propaganda e Marketing não percebe isso? Que para colocar alguém na linha de frente de atendimento essa pessoa precisa ter certos atributos, como por exemplo educação e simpatia?

Bom. O fato é que optei pela ESPM e há um ano lido com o que ela tem de bom e o que tem de ruim. Mas isso será tema de um outro post.

O que eu queria demonstrar aqui era a fragilidade do discurso da maioria dos MBAs. De como na prática eles não conseguem aplicar a teoria que ensinam. E como faltam a alguns deles rudimentos básicos de gerenciamento de clientes e capacidade para ganhar dinheiro.

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