Kangibrina

Porra, Glauco!

12 03.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 21:57 ]

Sei que na hora da morte não é de bom tom falar nada que não seja elogioso ao defunto. Principalmente quando o falecido em questão era uma pessoa querida, admirada, e cuja morte foi causada por um crime escroto, covarde, repugnante.

Mas não vai ser por essa fatalidade e pela repreensão da patrulha do politcamente correto que vou mudar minha opinião sobre o Glauco do ponto de vista profissional.

Reconheço que ele teve papel importante na revolução cultural dos quadrinhos nos anos 1970/80, quebrando paradigmas, criando tendências e estabelecendo um traço inconfundível.

Confesso que uma das minhas maiores diversões no Ginásio (!) era ficar desenhando o Geraldão nos meus cadernos de física, matemática e química, o que me valeu muitas e muitas aulas de recuperação.

Mas na minha opinião Glauco, de uns 15 anos pra cá, limitou-se a ser repetitivo.

Há muito tempo Geraldão e sua boneca inflável, Dona Marta e sua tara por estagiários e Doy Jorge na fissura por uma carreirinha já estavam esgotados e sem-graça.

Ele até tentou se reciclar, criou personagens novos, como o Cacique Jaraguá, o Faquinha e Os Etês, todos igualmente insonsos, previsíveis.

Era nítido que não conseguia ir adiante, criar coisas engraçadas, inteligentes, ou ter idéias cativantes, como o Laerte e o Angeli, por exemplo.

Acabou perdendo terreno até mesmo pra essa nova geração de cartunistas, liderada por Sieber, Adão, Fabio Moon, Gabriel Bá e companhia.

Ele parou de tirar coelhos da cartola e passou a desenhar a mesma coisa para manter seu ganha-pão.

Mas não dá pra negar que Glauquito tem lugar garantido no Panteão dos cartunistas brasileiros.

Goste-se ou não o cara fez muita coisa importante e devemos esse reconhecimento a ele.

Sua morte representa uma lacuna difícil de ser preenchida.

Vai ser estranho abrir a Ilustrada e não encontrá-lo mais lá.

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