Kangibrina

Beuys não merecia uma exposição dessas…

25 10.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 9:19 ]

Joseph Beuys era um autêntico agitador cultural, no melhor sentido do termo.

Inquieto, provocador, o artista alemão, falecido em 1986, gostava de descontextualizar a arte, de tirá-la de seu pedestal e jogá-la nos braços do povo.

Seus vídeos, cartazes e múltiplos ajudaram a mudar a forma de enxergar as artes plásticas e lhe deram o status de maior artista germânico do século 20.

Por conta disso a exposição A Revolução Somos Nós, em cartaz no Sesc Pompeía, sobre sua vida e obra, é uma grande decepção.

Ela não lembra nem um pouco o espírito irriquieto de Beuys.

Para começar, a mostra, de revolucionária, não tem nada.

É uma exposição burocrática, fria, estática.

Os cartazes estão lá, bonitinhos, pendurados na parede.

Os multiplos, paradinhos, intocáveis, cobertos por tampos de vidro.

E os videos exibidos em salinhas com pufes e cadeiras.

Parece uma exposição do Masp, no pior sentido do termo.

Lógico que a iniciativa é bem-vinda.

O Brasil merece conhecer mais sobre artistas de renome internacional.

Mas um pouquinho mais de criatividade na hora de montar a exposição ajudaria a tornar a experiência mais interessante e contextualizar melhor o conceito de arte de Beuys.