Kangibrina

Leia Pondé

20 12.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 11:32 ]

Um dos poucos articulistas de jornal que me fazem sujar os dedos atualmente é Luiz Felipe Pondé.

Filósofo e psicanalista, ele escreve todas as segundas na Folha de S. Paulo.

Seus textos são inteligentes, provocadores, de difícil digestão.

Com Pondé não há meio-termos ou concessões.

Estamos falando de um intriguista nato.

A existência humana, o amor, a ética, a religião, a morte, o medo, o desejo, jamais espere dele o óbvio sobre qualquer assunto.

Seu pensamento não é domesticado. Com a mesma desenvoltura, ele é capaz de defender o ateísmo e condenar o aborto, por exemplo.

O objetivo dele não é agradar ou ter razão. Mas provocar o questionamento.

Tive aulas com Pondé em minha pós em História da Arte.

Em várias eu e a classe inteira tivemos vontade de esganá-lo, principalmente quando o maldito acendia aquele cachimbo fedorento.

Hoje, mais maduro, percebo como aquelas palestras valeram a pena.

Certamente de lá extraí algumas sementes que culminaram no nascimento do Kangibrina.