Kangibrina

Jorge Ben Brown

09 06.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 14:55 ]


Para celebrar o início da Copa do Mundo a Nike Sportwear reuniu Jorge Ben Jor e Mano Brown para regravarem o clássico Umbabarauma (O Ponta de Lança Africano).

Nada mais apropriado, não?

No vídeo acima você confere o resultado final da parceria e, abaixo, a letra

Agradeço ao Gustavo Palladini pela dica

Era eu, era eu, era meu mano mais eu
Pobre louco no bando, como o bom Deus deu
E de mangue a mangue pra juntar dez contos
Torto e tonto de fome, foi sempre assim
Nada mais que um jogo, eu sei, eu sei sim
Aqui e Morumbi, a fé é o que me move
Meu camisa nove, treinou bem e vai jogar
Salvador da final, salve o nosso Natal
(?), mas só por milagres
O leão com cabeça de bagre
Sob o assédio do crime, sem gostar de ninguém
Eu tiver quem me inspira, por falta de alguém
Onde eu como eles te fervem, tente se puder
Corajoso num domingo chuvoso a pé
Só quem é, é rato de estádio
Sabia, no rádio já dizia, estamos em minoria
Quem achou? Quem diria? Eu sonhei com esse dia
São quase dez anos sem gritar: campeão!
São Paulo na bagunça em mil Morumbi, Olímpia
Adversário é forte, vai ser (?)
Atenção, Brasil, atenção, que a bola vem, mas vem sem pretensão.
Aos 27, o silêncio que antecede a explosão
Crioulo Rei tem a sorte, vida e morte no clássico
Sim, momento mágico pra mim, sofredor
Passo curto pelo meio, vem na intermediária
Alcança o meio esquerdo e vai à linha de fundo
A bola bate rasteira, cruza a pequena área
Aos pés do nosso herói: o sentido de tudo.

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4 comentários

A volta do trovador

17 12.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 13:23 ]

Mano Brown é o melhor letrista da música brasileira contemporânea*. E não é de hoje.

Desde a morte de Renato Russo – e lá se vão 15 anos – o trono é ocupado pelo vida loka do Capão Redondo.

Brown é um legítimo trovador urbano. Consegue captar com rara competência os sentimentos e vivências das ruas e traduzí-los em uma espécie de poesia em prosa.

São histórias de tretas e trutas contadas com perfeita noção de rima e métrica. Tudo permeado por gírias recém-criadas na quebrada.

Suas letras são fortes. Cruas. Realistas. Cativantes (vide por exemplo Jesus Chorou). É impossível ouvir Racionais sem prestar atenção nelas.

Para quem não vive na periferia (meu caso) a poesia de Brown é a porta de entrada para um mundo que, por curiosidade, sadismo ou instinto de projeção, nos fascina, nos intriga.

Para quem mora, Brown é o porta-voz de muitos que não têm oportunidade ou coragem para se manifestar.

Por isso a entrevista do rapper na Rolling Stone depois de um longo tempo sem se manifestar é um bom sinal. É prenúncio que vem trabalho novo da banda por aí.

E todo trabalho do Racionais é um divisor de águas. Chegam pra marcar época e criar tendências.

Numa era predominada por grupinhos emos, bandas jurássicas e “novas” vozes da MPB, um álbum do Racionais é um sopro de renovação.

*Chico Buarque não conta. É hor concours.

Você acha que tem algum letrista melhor do que o Brown? Então mande sua opinião.

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