Kangibrina

O bem que os canastrões fazem aos torcedores da F1

30 04.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 12:07 ]


Não sei explicar direito.

Talvez seja uma espécie de maldição. Ou uma faceta obscura de minha personalidade. Ou simplesmente a vontade de ver um bom espetáculo.

Seja qual for a resposta, a verdade – doa a quem doer – é que só consigo torcer pelos bons canastrões da F1.

Sim, aqueles caras vencedores, ousados, autênticos, inteligentes, carismáticos e, sobretudo… canastrões.

Pilotos frios, blasés ou bom-moços (Prost, Hill, Berger, Coulthard, Patrese, Hakkinen, Senna) me despertam repulsa.

O primeiro piloto por quem torci foi Piquet, o mito.

Com pilotagem agressiva, profundo conhecimento de mecânica, humor ácido e temperamento explosivo, que lhe garantiam uma profusão de barracos, o cara sabia como ninguém tranformar a Fórmula 1 num grande circo.

Verdadeiro showman.

Depois que o bad boy dos Souto Mayor pendurou o capacete fiquei um tempo órfão.

Não conseguia gostar do Senna – embora reconheça que ela tenha sido melhor piloto.

Até que um alemãozinho abusado começou a se destacar.

Com um talento sobrenatural de guiar, aliado à sua ambição e mau-caratismo (a ponto de jogar seu carro no do adversário para sagrar-se campeão), estabelecemos uma empatia imediata.

Foram anos e anos curtindo suas vitórias (91, meu amigo, 91) e muitas manobras à lá Dick Vigarista.

Mas mesmo os deuses precisam de descanso. E Schummi teve que abandonar as pistas*.

E mais uma vez fiquei sem ter para quem torcer.

Até o domingo passado, no GP de Xangai.

Já reconhecia o talento de Alonso há algum tempo.

Duas vezes campeão do mundo, jovem, com rápida capacidade de aprender.

Mas ainda não conseguia torcer por ele.

Porém, tudo mudou depois da ultrapassagem em cima do Massa, na entrada dos boxes.

Foi uma manobra que demonstrou claramente seu talento, sua ambição, sua ousadia, sua agilidade e…sua canastrice.

E agora a maldição está garantida mais uma vez.

Fazer o que, senão torcer por ele?

Bora Alonso! Rumo ao tri!

*Não estou levando a sério essa volta do alemão. Acho que, no fundo, ele ficou com saco cheio da mulher e arrumou esse pretexto pra ficar longe dela…

Por um pescoço de diferença

26 08.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 2:43 ]

A volta de Schumacher à Fórmula 1 foi pro saco por conta de uma dor de pescoço.

Mas não estamos falando de um pescoço físico, de carne e osso, como divulgado.

E sim de um metafórico, também conhecido como orgulho.

Nos testes realizados com a Ferrari o heptacampeão percebeu que não teria condições de voltar a ser competitivo.

Além do carro inferior à Brawn e à RBR, o alemão sacou rapidamente que a idade e os três anos sem dirigir lhe custariam caro.

Schumacher queria voltar para disputar ao menos um lugar no pódio. E não para fazer figuração.

E aí o orgulho venceu a vontade.

Por um pescoço de diferença…

Aos vencedores, os títulos

19 03.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 20:18 ]


A decisão da FIA de entregar o caneco da temporada 2009 de F1 ao piloto que mais acumular vitórias – e não pontos – não foi muito bem recebida por pilotos, especialistas, jornalistas.

Eu discordo.

A idéia é boa. Além de dar mais emoções aos GPs, premia aqueles que ousam, que se arriscam mais, que buscam a superação e “pune” os administradores de resultados, os motoristas de autódromos, que ficam ali, na terceira ou quarto posição, torcendo para que seus adversários quebrem…

E, analisando as estatísticas, a grande maioria dos campeões geralmente termina o campeonato com o maior número de vitórias.

Não por acaso o maior, Schummi, o maior piloto de todos os tempos, tem o recorde de títulos (7) e vitórias (91).

Portanto, às vitórias, cavalheiros, às vitorias…

ATUALIZANDO

Tudo como dantes no quartel de Abrantes: menos de uma semana depois do anúncio, a FIA voltou atrás e o campeão será o piloto que somar mais pontos.

Mas minha opinião continua a mesma.