Kangibrina

Futebol: aprendendo a admirar as pessoas, mesmo que adversárias

16 11.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 23:31 ]

Há algum tempo, li uma declaração do Juca Kfouri que me deixou muito pensativo. Ele afirmou em um artigo que, à medida que ia envelhecendo, estava aprendendo a torcer não só pelo seu time do coração, o Corinthians, mas também pelos amigos, pelos atletas e profissionais que admira no futebol, independentemente do clube que defendem.

Essa confissão me chamou a atenção pois era uma época que estava começando a sentir o mesmo. “Ah, seu vira-casaca, aposto que tu agora torce pelos gambá, diz aí”. Não, nada disso. Pra deixar claro: continuo palmeirense até os ossos, amo meu time incondicionalmente, mas agora, forjado pela maturidade, percebo que torcer pelo sucesso de quem admiro não me faz ser menos palmeirense.

Há jogadores e técnicos pelos quais me tornei fã (seja pelo talento, temperamento ou caráter), e que com seu protagonismo tornam o espetáculo mais interessante. Lógico que se forem atuar contra o Verdão quero mais é que fracassem. Mas quando não é esse o caso, contam com minha torcida.

Abaixo, estão 3 profissionais em atividade que admiro ou venho aprendendo a admirar, e, para manter as coisas equilibradas, outros 3 que não suporto e espero que passem longe do Parque Antártica.

ADMIRO

Marcos

O que mais dizer do boleiro mais gente boa da história do futebol? Do jogador que todos os times gostariam de ter? Do goleiro das defesas impossíveis, que lhe renderam o apelido de São Marcos? Do cara que desistiu de jogar na Inglaterra pra ficar no Verdão e que lá permaneceu mesmo quando o time caiu para a segunda divisão? Esse é o Marcão, meus amigos, o maior ídolo da história do Palestra. E quando eu achava que ele não faria mais nada para aumentar minha admiração, eis que o arqueiro aprontou mais uma. No Paulistão deste ano, num jogo contra um desses Marília da vida, 4 a 0 pro Verdão, o árbitro marca pênalti a nosso favor no finalzinho. A torcida em peso pede para Marcos bater. Ele se recusa. Quando terminou o jogo, indagado porque se negara à consagração fácil, Marcão respondeu: “Seria desrespeito à equipe deles”. Puta que pariu. Caralho. Caralho de novo. Em uma única atitude o camisa 12 do Palmeiras sintetizou “ética” de um jeito que filósofos, antropólogos e quetais não conseguiram em séculos. É, meus amiguinhos. Não se fazem mais homens – nem santos – como Marcos.

Muricy:

Resmungão. Mal-humorado. Ranzinza. Antiquado. Metódico. Ortodoxo. Antipático. Pouco importa como o classifiquem. O “isso aqui é trabalho, meu filho” é um show à parte. Avesso à convenções sociais e à rasgação de seda, Muricy, falando aquele futebolês carregado, meio caipira, muda o ambiente onde chega. Transforma times em máquinas de vencer. Competente, obstinado, trabalhador e, principalmente, vencedor, Muricy conquistou nos últimos anos 4 brasileiros e uma Libertadores. Só. Fiquei chateado por não ter conseguido nos dar o título em 2009. Mas deixa estar. Torcerei por ele no Mundial Interclubes. O cara merece. PS: Ah, e nunca é tarde para lembrar: ele só não é técnico da seleção brasileira pois tinha um acordo verbal com a diretoria do Fluminense de só sair se houvesse consenso. Como não houve, permaneceu no clube carioca. Isso que é um cara de palavra.

Neymar

Sou fã desse moleque pelos mesmos motivos que muitos o defenestram. Gosto do seu jeito provocador de jogar, da falta de respeito que nutre pelo politicamente correto do futebol, da forma como transforma o óbvio em uma jogada de impacto. Neymar é um jogador sem medo: não tem medo de pancada, não tem medo de dar drible, não tem medo de ser diferente, não tem medo de errar. E quando erra, tenta de novo. Apesar de não parecer, é mais maduro que muito bode velho que pastam em nossos gramados. Prova disso é que não foge da responsabilidade, nos campos e fora deles (basta lembrar que assumiu de imediato o filho que teve com uma moça). Ao contrário de muitos moleques de 19 anos, nutre uma admiração e obediência incontestável pelo pai, que o tem guiado muito bem no gerenciamento de carreira. Qualquer outro jogador já teria aceitado proposta da Espanha para ir embora. Ele não. Ficou e garante que joga no Santos até 2014. Não acredito. Acho que depois de 2012 ele irá para o Barça ou o Real, para começar a escrever seu nome na constelação do futebol mundial.

DETESTO:

Kleber

Nunca gostei do fulano, mesmo no tempo em que a torcida alviverde o louvada. O cara é um mau-caráter de marca maior, que confunde garra e empenho com deslealdade e má fé. Kleber é defensor da vitória a qualquer preço, seja por meio de cotoveladas ou outro meio anti-esportivo. Individualista, pensa apenas em si, nunca na equipe. Não é à toa que sempre sai dos clubes por onde passa causando brigas (a próxima vítima será o Grêmio). Muitos o comparam a Edmundo. Só que tem uma grandissíssima diferença. Edmundo era craque. Kleber nunca chegou perto disso.

Tite

O mais charlatão de todos os técnicos. A personificação do embuste. Aquela sua fala pausada, cheia de neologismos imbecis, aquela pose pensada para as câmeras para passar a imagem de profissional moderno, equilibrado, a roupa social com as cores do clube, tudo só faz aumentar o engodo que de fato ele é. Tite é um treinador comum que força uma barra danada pra se mostrar diferenciado. Pode até ser campeão neste ano pelo Corinthians, mas isso não muda nada. Com o atual elenco que o clube tem, qualquer Jair Picerni conseguiria o título com rodadas de antecedência.

Cuca

Dá uma olhada no infeliz. Precisa falar mais alguma coisa?

Neymar: moleque nos gramados, homem nos negócios

20 08.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 16:15 ]

Ao promover o seu Dia do Fico ontem, Neymar, conhecido por ser um azougue irresponsável nos campos, provou que é um homem maduro na hora de administrar sua carreira.

Ao que parece seu projeto profissional não é baseado exclusivamente em dinheiro, equívoco que aflige a grande maioria dos boleiros.

Neymar é um talento precoce de apenas 18 anos, audacioso, criativo, grande aposta de Mano Menezes na renovação do ataque da Seleção Brasileira, que sabe que, mais cedo ou mais tarde, ficará milionário.

Só que ele não quer só encher as burras de doletas.

Ele quer fazer história.

E recusar a proposta do Chelsea (R$ 650 mil por mês!!!) pra ficar no Santos foi a melhor decisão.

O Chelsea é um time que paga muito bem, mas não tem história, identidade e torcida. E outra: ao chegar lá certamente seria posto para escanteio pelos jogadores de mais nome e com empresários melhores.

Ao ficar mais tempo no país ele poderá ganhar mais títulos e criar maior identidade com a torcida, não só com a do Peixe, mas com a das outras também, pois o time da Vila não polariza paixão e ódio como Palmeiras e Corinthians, Grêmio e Inter, Atlético e Cruzeiro, Flamengo e Vasco.

Barbarizando no Santos e na Seleção, Neymar, depois da Olimpíadas de 2012, poderá escolher onde quer jogar: Barcelona, Real, Inter, Milan, Manchester…

Não faltarão propostas irrecusáveis. E detalhe: ele terá apenas 20 anos!

Muito bem aconselhado por seu pai, o capeta da Vila tem o futuro nas suas mãos.

Um futuro brilhante e grandioso.

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Neymar e Ganso estarão na seleção. Depois da Copa.

10 05.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 15:47 ]


Antes de mais nada vamos lá: eu levaria Neymar e Ganso para a Copa.

Estão comendo a bola e provaram não amarelar em decisões.

Mas Dunga não parece pensar assim e provalmente os dois terão que se contentar em ver os jogos pela TV.

Porém, ao contrário da maioria, não irei condenar o treinador.

Gostando-se ou não, ele está certo em seguir seus princípios.

Ser líder consiste muitas vezes tomar decisões impopulares, mas que, na visão deles, são as melhores para se alcançar uma meta.

E desde que assumiu a seleção o Popeye dos Pampas deixou claro que prefere convocar jogadores testados e que gozam de sua confiança (mesmo que não estejam brilhando em seus clubes) do que fazer apostas em atletas que não conhece.

E isso deve se repetir na convocação de amanhã. Dunga não parece ser o tipo de cara que vende seus princípios por pressão popular ou de empresários.

Até porquê torcedores e a mídia dita especializada têm memória curta.

Esquecem que em 2009 Ganso e Neymar foram um fiasco nas seleções Sub 20 e Sub 17, respectivamente.

O treinador sabe que uma coisa é ser craque no seu time e a outra na seleção.

Há fartos exemplos de jogadores que sempre arrebentaram em seus clubes mas não seleção foram apenas uma pálida sombra: Ademir da Guia, Roberto Dinamite, Edmundo, Neto, Marcelinho Carioca, Alex, Rai, Batista, Viola…

Neymar e Ganso são jovens e talentosos e terão muitas oportunidades na seleção de mostrar que Dunga estava errado.

Mas só depois da Copa.

PS: Recomendo a leitura da ótima matéria da Folha de São Paulo do último domingo sobre a trajetória profissional de Dunga.

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Quando o passe é mais bonito que o gol

14 04.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 13:50 ]


No filme À procura de Eric, de Ken Loach, o craque francês Eric Cantona, que brilhou no Manchester da década de 1990, confessa que o lance mais bonito de sua carreira não foi um gol.

Não senhor.

Foi um singelo e preciso… passe.

Isso mesmo. Um passe.

E assim como ele, Ronaldinho Gaúcho, Djalminha, Zidane e muitos outros astros da pelota também preferem lembrar de suas assistências do que gols.

Eu entendo os caras.

Tenho verdadeira tara por passes.

Pela simplicidade, eficácia, plasticidade, muitas vezes eles são mais bonitos que o gol.

Ainda não finalizei meu Top 5 de passes mais impressionantes.

Até recentemente minha lista tinha dois lances certos: o passe de Pelé para Carlos Alberto Torres matar de vez a Itália na Copa de 1970 e o toque de calcanhar de Evair para Roberto Carlos na goleada do Palmeiras sobre o Boca, por 6 a 1.

Mas depois de domingo incorporei mais um ao ranking.

Quem entende um pouco do esporte bretão sabe do que estou falando.

Essa assistência de Neymar para André na vitória do Peixe sobre os Bambis foi uma obra de arte.

Com um toquezinho displicente na bola ele tirou 3 (três) defensores da jogada para o companheiro só empurrar para o fundo da rede.

No melhor estilo Luciano do Vale de gritar,só tenho uma coisa a declarar: GÊNIO! GÊNIO! GÊNIO!

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Abaixo a caridade compulsória!

02 04.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 21:58 ]

Alguns jogadores do Santos – entre eles os badalados Neymar, Ganso e Robinho – estão sendo apedrejados pela mídia e opinião pública por não participarem de uma ação beneficente do clube, realizada em uma instituição espírita, que trata de crianças com paralisia cerebral.

Acuados diante da repercussão negativa, os degredados vieram a público pedir desculpas e esclarecer que não acompanharam os outros jogadores na visita por imaginar que teriam que participar de um culto espírita, o que não aconteceu.

Verdade ou não, o mal entendido foi resolvido e os atletas afirmaram que na primeira oportunidade irão à entidade se confraternizar com as crianças.

Agora que tudo aparentemente acabou bem, e a vigilância da moral e dos bons costumes colocou as pedras no chão, gostaria de introduzir um pouco de bom senso nessa história.

E daí que eles não quiseram participar da ação?

Caridade é algo obrigatório?

Ora, ninguém, absolutamente ninguém, seja rico, seja pobre, seja branco, seja preto, seja palmeirense, seja corintiano, seja cristão, seja judeu, seja craque, seja cabeça-de-bagre, é obrigado a fazer caridade.

Sei que gestos de solidariedade, principalmente de pessoas expoentes, são importantes para a formação de uma sociedade melhor, mais justa e igualitária.

Ações beneficentes devem ser incentivadas e praticadas no cotidiano, para que mais pessoas se inspirem e sigam esse nobre exemplo.

Mas a caridade é algo muito pessoal, e por isso deve ser espontânea, genuína, de boa vontade.

Ela não deve ser feita de forma compulsória, para que sujeitos hipócritas possam aparecer bem na fita e tirar o seu da reta na hora do Juízo Final (sobe BG de risada fantasmagórica), como fez a diretoria santista.

Quem não participa de atos beneficentes ou fica posando de Madre Teresa em campanhas à lá Criança Esperança é menos generoso, ético ou honesto por isso?

Eu defendo que não.

Cada um tem o direito de querer ajudar (ou não) e escolher a melhor maneira de fazê-lo.

Há milhões de formas de ser relevante à sociedade. Cabe ao cidadão descobrir o seu papel e exercê-lo com o máximo de competência.

Portanto, se os meninos da Vila não quiseram ir até à entidade, eu respeito.

Lamento, mas respeito.

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Deixem os meninos dançarem em paz

16 03.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 18:37 ]

Quase tive um orgasmo quando o Robert acertou aquele canhão de fora da área e sacramentou a virada do Verdão pra cima dos sardinhas em plena Vila.

Foi uma vitória emocionante, histórica, que vai servir para animar o time na busca de uma vaga para as semifinais.

Mas confesso que não consigo ter a raiva que parte das torcidas e dos jogadores têm em relação ao atual elenco do Santos.

Pelo contrário.

Tô gostando muito de ver essa molecada praiana jogando o fino e inovando nas comemorações.

Futebol é isso aí.

Não faz muito tempo o Viola comemorava cada gol com uma coreografia diferente.

E todo mundo gostava.

Será que o futebol ficou tão sério assim nos últimos anos que não abre espaço para a criatividade, a irreverência, o humor?

Recomendo que os outros times façam o mesmo.

Dancem, inovem, brinquem na hora do gol.

Mas que façam isso por prazer. E não por raiva ou por vingança.


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