Kangibrina

Feitos para durar

25 08.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 14:06 ]

Dois filmes que (re)vi recentemente me chamaram muito atenção por utilizar product placements inusitados, marcantes e bem sacados.

Um é da Coca Cola (já tem gente achando que levo algum por fora, de tanto que cito a marca aqui) no filme A Estrada.

O longa, que, aliás, não recomendo para depressivos em geral, mostra pai e filho tentando sobreviver num futuro pós apocalipse.

Numa busca por alimento, eles se deparam com uma velha máquina de bebidas e tiram a sorte grande: encontram uma latinha de coca intacta.

A cena dos dois compartilhando o refrigerante, num típico momento “pai/filho”, é comovente.

Outro exemplo, acreditem vocês, é na comédia O Dorminhoco, uma das primeiras obras de Woody Allen, produzida na década de 1970.

Também ambientado no futuro (acho que 2170, alguma coisa assim) o personagem de Woody utiliza-se de um fusca centenário (!) encontrado numa caverna (!!!!) para escapar de seus perseguidores.

A cena acontece a partir de 7m32s do vídeo acima.

Quer cena melhor para ratificar o posicionamento que os carros da Volks são feitos para durar?

Como fazer product placement em programas humorísticos

10 08.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 18:39 ]

Promover product placement em programas caústicos, politicamente incorretos, é algo delicado e que deve ser muito bem pensado, tanto pelo anunciante quanto pelos produtores do humorístico.

A inclusão do produto deve se encaixar ao roteiro de forma natural, sem parecer forçado, e de uma maneira que não desabone a marca ou ofenda seus consumidores.

Caso contrário, o que era pra ser divertido, inusitado, gera buzz por motivos inversos ao imaginado, transformando-se em um verdadeiro tiro no pé.

Missão difícil, não pequeno gafanhoto?

Difícil mas não impossível.

A Microsoft e a Toyota, duas gigantes de seus setores, resolveram ousar e estabelecer parcerias com as sitcoms Family Guy e no The Office, respectivamente.

Não gostei muito do resultado da dobradinha Microsoft/Family Guy (abaixo. A próposito: peço desculpas pela má qualidade do áudio e do vídeo. Foi o único que consegui encontrar).

Embora a empresa do Tio Bill tenha acertado na faixa etária dos telespectadores (18 a 30 anos) para promover o XBox 360, a forma como o game foi colocado na história não foi muito feliz para o anunciante.

Para conseguir o perdão dos filhos, Peter, que já havia tentado de tudo, anuncia: “Bom, acho que não tenho outra alternativa pra conseguir o amor de vocês de volta…Quem quer um XBox 360 novo?”. Dá certo.

Dentro do contexto da série, a colocação ficou ótima. Já pra Microsoft, tenho lá minhas dúvidas.

Gostei mais da parceria entre a montadora japonesa e o seriado de Steve Carell.

O motor silencioso do Prius, o carro híbrido da Toyota, é o trunfo que Andy usa para se aproximar de seu rival Dwight sem que ele perceba e prensá-lo contra a parede.

A propósito: a Toyota também promove o Prius no Family Guy. É o carro que o Brian, o cachorro da família (que ironicamente, é o mais culto e moderno de todos), dirige.

Propaganda sem escalas

09 02.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 14:42 ]

Amor sem Escalas, com George Clooney, vai entrar para a história do cinema como o filme com maior minutagem publicitária de todos os tempos.

Ao término da sessão fiquei com a sensação de ter assistindo a um grande intervalo comercial, com um (bom) filme escondido no meio.

Ok.

Sei que não há nada de novo em fazer Product Placement em filmes.

Há centenas de exemplos.

O Náufrago, Eu Robô, Mensagem pra Você e o Diabo Veste Prada são quatro que me vêm rapidamente à mente.

Mas confesso que nessa minha vida de cinéfilo nunca tinha visto algo tão explícito, tão forçado, tão babação de ovo, como neste filme.

Chega a ser constrangedora a forma como a American Airlines, o Hilton e a Hertz são constantemente louvados, reverenciados, pelos personagens centrais.

A cena em que Clooney recebe das mãos do Capitão Finch o seleto cartão da AA para os clientes que acumularam 10 milhões de milhas é patética.

Sei que, principalmente nos Estados Unidos, graças ao TiVo e ao YouTube, as pessoas estão assistindo seus programas favoritos sem passar pelos comerciais.

E daí as empresas tem que se fazer presentes na cabeça do consumidor de outra forma, como, por exemplo, no meio de filmes.

Não há nada de mal nisso, mas respeitar a inteligência dos espectadores é bom.

Fazer propaganda explícita, às vezes, tem efeito contrário do desejado.

As pessoas se sentem ofendidas e, com isso, passam a boicotar a marca.

Os roteiristas, publicitários e cotistas das empresas que financiam a produção precisam entender que, no contexto certo, a citação ou aparição de uma marca, de maneira sutil, tem um retorno muito melhor do que fazer algo escancarado.

É bem mais eficaz, por exemplo, do que colocar uma Angelina Jolie dizendo: “Nossa, como o novo Tampax é bom. Com ele me sinto muito mais segura pra mostrar que sou uma mulher moderna e bem-sucedida”.

Isso soa forçado, falso.

Em contrapartida, peguemos o caso da Apple, que sabe utilizar muito bem o artifício da sutileza, fazendo um propaganda “quase” subliminar, com personagens de filmes e seriados utilizando seus notebooks.

As empresas de material esportivo, como a Nike e a Adidas, também mandam bem nesse quesito. Podem reparar que tem sempre uma gostosona ou um bonitão malhando com roupas da marca.

E não é incrível como as pessoas sempre se reúnem no Starbucks para se conhecer, bolar planos mirabolantes ou mudar o rumo de suas vidas?

Isso é cool e, em geral, bem aceito pelo consumidor.

No caso de Amor sem Escalas, o excesso de citações explícitas de marcas conseguiu estragar o filme e, na minha opinião, colocar essas empresas em situações muito, muito embaraçosas.