Kangibrina

O mestre superou a obra?

27 10.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 19:41 ]

Sempre defendi a tese que Quentin Tarantino jamais faria um filme melhor do que Pulp Fiction.

Afinal superar uma obra-prima produzida precocemente é um carma que persegue todos os artistas que se destacam logo no início da carreira.

E poucos, muito poucos, conseguem superá-lo.

O tempo provou que eu estava certo.

Jackie Brown, Kill Bill e Death Proof são bons filmes, mas não chegam aos pés de Uma Thurman dançando twist com John Travolta.

Essa minha convicção quase católica durou até a última sexta, quando assisti Bastardos Inglórios.

Massachussets!

Que filme, senhoras e senhores. Que filme.

Saí do cinema com uma interrogação do tamanho de uma elefoa albina da Angola, grávida de trigêmeos: será que o dogma foi quebrado?

O estilo tarantinesco permanece deliciosamente o mesmo: enredo não-linear, situações dantescas, diálogos memoráveis, personagens excêntricos com nomes idem, o fetiche por pés, referências à cultura pop e cinematográfica (adorei a homenagem a Rastros de Ódio), etc.

A diferença deste filme pros demais é que Tarantino amadureceu. E muito.

Não é mais um moleque sabe tudo de cinema brincando de fazer filmes.

É um diretor respeitável que sabe a competência e genialidade que tem.

Está nítido que ele aprendeu a ter maior controle sobre as cenas e os atores.

Seu timing para mesclar momentos de suspense, humor, violência, está tinindo.

O sangue continua lá. Mas não jorra aos galões como dantes. Ele sabe que não precisa mais apelar tanto para o grotesco para chamar a atenção.

Mas o ponto genial mesmo foi pegar um capítulo mais do que conhecido de nossa História e recriá-lo ao seu bel prazer.

Para, como ele mesmo disse, fazer justiça.

Não uma justiça com os judeus. Mas uma justiça com a própria História.

Afinal, se a guerra terminasse à lá Tarantino, ficaria muito mais interessante de se contar, né não?

Bom, contei tudo isso pra dizer que não sei afirmar se Bastardos é melhor do que Pulp Fiction.

Daqui há algum tempo, com certo distanciamento, assistirei ambos novamente.

Daí sim vou saber se o mestre superou sua obra.