Kangibrina

Lugar de Rafinha Bastos é nas mídias sociais, não na TV

16 10.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 18:01 ]

O humorista Rafinha Bastos passou as últimas semanas em evidência por conta de uma série de desentendimentos envolvendo seus companheiros de CQC, a direção da Band, famosos dos mais diferentes naipes e escalões, a imprensa, entre outros.

Até o momento em que este post está sendo escrito, ele havia pedido demissão da emissora (onde, além do CQC, apresenta também A Liga), mas há rumores de que está sendo articulado nos bastidores um armistício para que ele continue na Bandeirantes.

Afinal, ninguém é santo nem bobo nessa história. Embora o humorista cause problemas, ele a Bandeirantes sabem que seu “passe” é valioso, e Jonnhy Saad não quer entregá-lo de bandeja para a concorrência. Além disso, sua imagem está atrelada a uma série de fortes patrocinadores, entre eles a Pepsi.

Por enquanto não dá para saber o desfecho desse imbróglio, mas, independentemente dos rumos que essa situação levar, acredito que o lugar de Rafinha não seja mesmo na TV. Pelo menos na aberta.

Explico.

O tipo de humor (não vou entrar no mérito se é bom ou não, já que se trata de uma discussão sem fim, com fãs e detratores dotados de argumentos irrefutáveis) praticado por Rafinha não é palatável para as grandes massas.

Isso é fato. Não dá pra uma senhora de 60 anos, devota da Nossa Senhora de Fátima, rir de piadas envolvendo incesto, canibalismo, zoofilia e outras aberrações.

Mas hoje, com o Youtube, Twitter e uma infinidade de outras mídias sociais, qualquer humorista – seja aquele simples imitador de personalidades ou seja aquele fervoroso discípulo de Monty Phyton – não depende mais da TV e do rádio para sobreviver.

Há lugar para todos. A Cia Barbixas de Humor, por exemplo, vive basicamente do sucesso de seus vídeos no Youtube.

Rafinha sabe disso e faz bom uso da redes. Não é de hoje que o comediante, considerado o perfil mais influente do Twitter, com 3 milhões de seguidores, posta vídeos caseiros no Youtube, usa jargões criados nas mídias sociais e participa de eventos relativos ao assunto. Além disso, o vídeo do seu show A Arte do Insulto é um dos mais assistidos no Netflix.

Para continuar na TV, em qualquer canal aberto, Rafinha sabe que terá que domesticar seu humor, assim como fez Danilo Gentilli, seu companheiro de CQC e sócio na casa de shows Comedians.

Até pouco tempo atrás, Danilo fazia e acontecia. Graças ao seu humor ácido, arranjava briga com todo mundo, com a Hebe, jogadores de futebol, políticos, pagodeiros, Angela Bismarqui, fãs do Restart, etc.

Até que começou a levar enquadradas, físicas, verbais e jurídicas.

Danilo recuou e começou a adotar um estilo de humor mais família. Por sua obediência canina, foi recompensado com um programa próprio, onde recebe artistas da emissora, pagodeiros, a Angela Bismarqui e, pasmem, o próprio Restart.

Lógico que se optar por viver exclusivamente de shows e das mídias sociais, Rafinha verá uma certa diminuição de dindim entrando no seu bolso. Afinal, a TV ainda é a grande seara das celebridades, onde se consegue maior visibilidade e contratos publicitários mais polpudos. Mas nada que o obrigue a trocar seu Veuve Cliquot por uma Cidra Cereser. De forma nenhuma.

Mas por outro lado, ficar nas mídias sociais, com participações esporádicas na TV ou, com um programa em canal fechado, Rafinha poderá manter o estilo que o consagrou, sem ter que pagar o alto preço que se exige de humoristas que se adequam aos padrões morais de seus pagadores.