Kangibrina

Meio de comunicação não é tribunal. Nem divã.

07 10.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 11:14 ]

Hoje vou falar mal de dois monstros sagrados do jornalismo tapuia.
 
(“Eba!” – exclamaram, ao fundo, as cassandras de plantão).
 
Confesso que não queria, pois são profissionais premiados, que admiro muito, e que influenciaram na escolha de minha carreira.
 
Mas os caras andam pisando na bola, confundido assuntos privados com público e merecem, sim, um puxão de orelha.
 
Um é Juca Kfouri, o perseguidor de mau carateres.
 
Tá certo que, cada um à sua maneira, Ricardo Teixeira, Milton Neves, Vanderlei Luxemburgo, Arthur Nuzman e Orlando Silva, os alvos cativos de Juca, não são flor que se cheire e merecem umas boas espinafradas.
 
Todos têm culpa no cartório, registrada em três vias e com carimbo do tabelião.
 
Mas a campanha difamatória diária que o jornalista promove no CBN Esporte Clube contra essas figuras já deu no saco.
 
Há muito tempo não se trata mais de informar, e sim perseguir.
 
Sei que, ao repetir a todo momento o slogan do fictício patrocinador do programa, o famoso “tome chá de cadeira, para quem espera a queda de Ricardo Teixeira”, Juca está combatendo veneno com veneno.
 
Mas daí pergunto: perseguir pessoas é fazer jornalismo? Em que tornar pública a rixa pessoal e jurídica do jornalista e seus desafetos ajuda o ouvinte/leitor/telespectador/internauta?
 
O outro é Ricardo Boechat.
 
Durante todo o horário eleitoral ele entrou numas de falar cotidianamente mal dos candidatos.
 
“Velhacos!”, “corruptos!”, “bandidos!” são alguns dos adjetivos que ele usou, em tom exaltado, para qualificar TODOS os políticos – sem exceção, como ele gosta de frisar – em seus editoriais na rádio BandNews.
 
Outra dia, estava sugerindo aos ouvintes que descobrissem o telefone de candidatos para xingá-los.
 
Na boa: ninguém precisa de um fulano mais pra ficar no nosso ouvido reclamando da vida.
 
Pra isso já existem os velhos, os taxistas, os chatos em fila de banco e o José Paulo de Andrade.
 
Um editorialista deve buscar informações exclusivas, traçar paralelos e dar uma visão diferenciada a quem está do outro lado.
 
Além disso, meter o pau em político, convenhamos, é fácil demais. Principalmente para um jornalista veterano, premiado a torto e a direito.
 
Daí faço outra pergunta: fazer desabafos pessoais em meios de comunicação é jornalismo? Em que isso ajuda o ouvinte/leitor/telespectador/internauta?
 
Tirem vocês a conclusão.