Kangibrina

A superfoto e o limiar da privacidade

29 04.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 10:00 ]


A iniciativa é bacana e já vem sendo utilizada pela Samsung e pelo Postos Ale como forma de aproximar suas marcas das torcidas de Palmeiras e Flamengo, clubes que, respectivamente, patrocinam.

São as superfotos, imagens panorâmicas de 180 graus, dotadas de um zoom foderoso, tiradas durante os jogos e depois colocadas nos sites dos clubes, para que o torcedor possa se encontrar.

As fotos são obtidas com o uso de um equipamenento chamado Gigapan (acima). Para ter uma noção do que estamos falando vejam essa foto da posse do Obama. Dá pra ver o carinha olhando o celular lááááááááááááá na última fileira, debaixo do monumento.

Não tenho conhecimento jurídico sobre o assunto mas mesmo assim (e até por isso mesmo) vou dar uma de advogado do diabo: isso é permitido?

Parto do seguinte raciocínio: as empresas estão utilizando as imagens das pessoas – sem o consentimento destas – para fazer uma ação de marketing de relacionamento.

As fotos são panorâmicas e coletivas, mas graças ao ultramegablaster zoom dá quase pra ver a casquinha do amendoim presa no dente daquele tiozinho que fica atrás do banco de reservas, xingado o pobre do treinador.

Ou seja: as empresas estão faturando às custas do torcedor, mas de forma disfarçada, utilizando-se de uma manta de “prestação de serviço”.

É a “prestação de serviço” pagando pelo “direito de imagem”.

Ora, se isso não for ilegal, no mínimo é anti-ético.

Outro ponto para ser observado: todas as pessoas gostam de ser vistas no estádio?

Ao meu ver expor publicamente uma foto, num site aberto, fere o direito à privacidade.

O estádio pode até ser um local público, mas o cidadão PAGA para entrar.

É bem diferente do que ser fotografado numa rua, numa praça, numa praia, etc.

O assunto é delicado e confesso não ter uma opinião totalmente formada a respeito.

Só acho que as empresas devem de alguma forma avisar antecipadamente o torcedor da foto e de sua utilização (no verso do ingresso, por exemplo) .

E você, nobre leitor. O que pensa disso?