Kangibrina

Gente não é bicho

19 04.2011
Por Denis Zanini Lima [ postado às 16:20 ]

Aqui de longe, no conforto de minha cadeira, blindado por camadas e mais camadas de pixels, achei bem criativa essa idéia da SOS Fauna, de prender pessoas no elevador para que elas sintam na pele, por alguns instantes, o que muitos animais sentem a vida inteira.

Com um tempero levemente greenpeaciano, ela consegue atingir seu objetivo, chamando a atenção para sua causa e, de quebra, suscitando uma boa dose de polêmica e reflexão.

Mas reparem: eu disse que achei a ação criativa, não que eu gostei dela.

Digo isso porquê é muito cômodo estar do outro lado da tela, vendo pessoas numa situação em que eu definitivamente NÂO gostaria de estar.

Aliás, se eu fosse uma das “vítimas” desse bullying ecológico (que incluiu até crianças e idosos), estaria agora utilizando esse espaço exclusivamente para descer o sarrafo na ação e não para analisá-la com a devida parcimônia.

Mais: meu exército de advogados já estaria entrando com processo na Adebra (Adevogados do Brasil, instituição presidida pelo inigualável Marco Bianchi), em três vias autenticadas, para exigir ressarcimento por danos morais, físicos e psicológicos.

Sim, Alberto, porquê na hora da claustrofobia, em que o ar falta e a visão começa a ficar turva, que o suor começa a pingar mais que as Cataratas do Iguaçu, quero que mico-leão dourado, zebrinha listrada, coelhinho peludo, vá tudo pros quintos dos infernos.

E se no final eu soubesse que tudo não passou de uma experiência e recebesse aquele folder na saída do elevador, a infeliz promotora teria que dar entrada no pronto-socorro para retirar o papel da cavidade onde eu iria enfiá-lo.

Ok, sei que os animais são importantes e devem ser defendidos e bem tratados. A propósito: eu detesto e sou veementemente contra circos, festas do peão, touradas, caça e pesca esportivas e outros tipos de atividades que covardemente usam animais como entretenimento.

Mas passar por um trote para receber uma lição de moral de adoradores de animaizinhos, pra mim é mutcho over.

E nunca é demais lembrar de algo que os organizadores da campanha esqueceram:

Gente não é bicho, pelamordedeus!

Portanto, não me peça para tratar animais como se fossem seres humanos, como muitas pessoas doentes fazem.

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