Kangibrina

Vik é o Kara

27 05.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 20:55 ]

Conhecia o talento de Vik Muniz apenas à distância, por meio de fotos e críticas publicadas em jornais e revistas.

Há algum tempo tenho vontade de ver de perto suas obras. Primeiro, por ser apreciador de artes plásticas; segundo, para sanar uma dúvida pessoal: será que realmente ele é tudo isso, a ponto de merecer exposição no MoMa?

Finalmente, na retrospectiva dedicada ao artista organizada pelo Masp, pude matar minha curiosidade.

E não dá pra negar. O cara realmente é bom.

Fiquei muito impressionado com a meticulosidade, tino inovador e senso estético de como compõe e fotografa cada peça, criando um jogo óptico de grande beleza.

A falta de pudor e o excesso de criatividade ao lidar com materiais diversos (da calda de chocolate à sucata, do papelão à soldadinhos de plástico, de diamantes à pasta de amendoim) mostra que não há grilhões em seu método de produção.

Vale a pena, depois de contemplar a mostra, assistir aos vídeos de making off de composição de suas obras, um show de devaneio planejado.

Lógico que os puristas e ignorantes (para quem arte resume-se a retratos à óleo com molduras rococó) torcem o nariz para esse tipo de produção.

São pessoas que, por falta de conhecimento ou má vontade, o colocam na vala comum dos pseudo-artistas conceituais, aqueles que acham que um escapamento de fusca chumbado num tronco de árvore é uma obra-prima.

Antes de exímio fotógrafo, Vik é um desenhista e modelador de mão cheia. Só não usa pincéis, tela e tinta para não aprisionar sua criatividade em poucos centímetros quadrados.

Um artista que sabe romper as barreiras da arte com muita classe, sem cair na vulgaridade ou debandar para o charlatanismo.

Vá ver.

A exposição fica em cartaz até 12 de julho.

PS: Foi muito bom voltar a uma grande exposição no Masp. Parece que a administração atual está colocando a nau no prumo.

compartilhe:
Share
Nenhum comentário