Kangibrina

Longa vida ao Kangibrina

06 10.2010
Por Denis Zanini Lima [ postado às 12:53 ]

Paus d´água de todo universo pontocom, sejam bem-vindos ao Kangibrina, o blog do livre pensar sem a ressaca do senso comum.
 
Para quem não sabe, ou seja, todos os desocupados que me lêem neste momento, o Kangibrina é sucessor do Cangibrina, página pessoal criada despretensiosamente por este ébrio, numa crise de insônia, em março ou abril de 2009 – não me lembro direito, confesso, estava bêbado.
 
Mas o que era um singelo passatempo foi, ao longo de 1 ano e meio, ganhando proporções gigantescas.
 
O site ficou famoso no mundo inteiro, o número de seguidores entrou em progressão geométrica, não havia servidor que aguentasse a demanda e por isso foram necessárias mudanças pontuais, que culminaram no nascimento do Kangibrina.
 
Mentira.
 
Não vou enganar vocês.
 
Na real o blog nunca foi um singelo passatempo.
 
Desde o início ele foi criado para ser uma voz crítica e diferenciada nessa avalanche de informações a qual somos submetidos todos os dias.
 
A proposta do (C)Kangibrina foi, é e será abordar marketing, cinema, jornalismo, música, mídias socias, artes plásticas, publicidade, futebol, teatro, humor, tevê e as coisas da vida, com um viés criativo, analítico e inteligente, sem proselitismo.
 
Portanto, aqui você não encontrará videozinhos engraçados que estão bombando na net, posts “maria vai com as outras” sobre assuntos do momento ou defesas de teses intelectualóides que não interessam a ninguém.
 
Como vocês estão percebendo, o nome e a embalagem (ficou bonito esse visu novo, hein?) do produto mudaram, mas o conteúdo continua o mesmo.
 
E agora com uma grande vantagem: está muito mais fácil compartilhar informação.
 
Acima e abaixo de cada post há botões para você disseminar e comentar, via Twitter, Facebook, MSN e outros, as groselhas publicadas aqui.
 
Para facilitar a navegação, os textos foram divididos em categorias, que estão aí no menu do seu lado direito.
 
E, por fim, para deleite dos internautas, todo, absolutamente todo o conteúdo do antigo blog foi migrado para este novo endereço.
 
Ou seja: se você não estiver batendo uma laje, ouvindo uma palestra sobre dialética e hermenêutica ou fazendo colonoscopia, não existe forma melhor de passar o tempo do que navegar pelo Kangibrina.
 
Divirtam-se, fiquem à vontade, comentem e sigam o @KangibrinaBlog no Twitter.

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Um teatro, duas cidades

11 08.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 20:30 ]

Dias desses fui conhecer o Teatro São Pedro, em São Paulo, para checar a possibilidade de realizar um evento no local.

Quando entrei, fui acometido por uma forte sensação de deja vu.

Tinha certeza de já ter estado naquele lugar.

Fiz um rápido scan disk encefálico e me lembrei: internamente, o teatro é muito parecido com o São Pedro de Porto Alegre, onde fui ver um recital há uns cinco anos.

Pelas datas de construção, foi o teatro gaúcho (1858) que serviu de modelo para o paulista (1920).

As duas casas estão longe de ter o conforto e os recursos técnicos das atuais, mas sua simplicidade e elegância conferem-lhes o status de clássico.

Os foyers, as cadeiras de veludo vermelho, o fosso para orquestra, tudo contribui para a formação de uma atmosfera saudosista.

Vale uma visita. Mesmo que virtual.

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Um monológo para quem não gosta de monólogos

06 04.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 18:56 ]


Fui ver no sábado Retratos Falados 2, de Alan Bennett, montado pelo Grupo Tapa no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura).

Curtos (cerca de 30 minutos), com uma linguagem inteligente e bem-humorada, os dois monólogos que compõem a peça são perfeitos para quem não gosta muito de… monólogos (meu caso).

E porque cargas d´agua me submeti a um programa que tinha tudo pra ser um mico tamanho King Kong?

Masoquismo? Cumprimento de alguma promessa atendida? Insanidade temporária? Falta de amor próprio?

Nada disso. Foi por dois motivos: 1) Pelo competente Grupo Tapa, cujas montagens são sempre interessantes 2) Pela Beatriz Segall, um das maiores atrizes de nosso tempo cujo desempenho nos palcos nunca tinha presenciado

E não me arrependi.

Fritas no Açúcar, o primeiro monólogo, traz Penido Ross (para mim uma grata revelação) interpretando um cinquentão solitário que vive com a mãe esclerosada.

E A Senhora das Cartas tem o brilho de Beatriz no papel de Irene, uma senhora amargurada que escreve missivas para reclamar de absolutamente tudo – até para a rainha.

Embora retratem a solidão, a loucura, os personagens, caricatos e exagerados, com suas observações que beiram o absurdo, fazem mais rir do que chorar, deixando a peça mais leve.

Para o programa ficar melhor vale a pena chegar mais cedo para ficar passeando pelas prateleiras de livros, CDs e DVDs da livraria e depois tomar um capuccino na charmosa lanchonete do local.

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Capitão Nascimento vai à Dinamarca

08 03.2009
Por Denis Zanini Lima [ postado às 15:37 ]

“Não sou louco; estou louco, mas por astúcia” – Hamlet

Há uns dois sábados, no Teatro da Faap, em São Paulo, vi a penúltima apresentação de Hamlet, estrelado por Wagner Moura.

Boa peça.

Além do elenco e do texto – já conhecido e declamado por Deus e todo mundo e que portanto dispensa comentários – gostei muito das soluções cênicas.

A presença de todos os atores simultâneamente no palco e o figurino simples – mas emblemático – deu grande dinamismo à obra.

O uso de um telão para pegar closes de personagens em situações-chave também contribuiu para isso.

Wagner mandou bem no papel do protagonista. Conseguiu emanar com competência a angústia, o desejo de vingança, a inteligência psicótica e a cólera que o personagem requer.

Mas algo soava estranho em sua interpretação.

Em diversos momentos, principalmente nos de fúria, fiquei com a nítida sensação que o filho do rei da Dinamarca tinha um quê demasiado de Capitão Nascimento.

Mas podia ser só impressão.

Ontem, zapeando madrugada a fora, eis que me deparei com Tropa de Elite, o filme.

E aí a dúvida se dirimiu.

Sim. O capitão do Bope estava aquela noite lá, no palco. Só que ao invés da farda, a armadura; no lugar da escopeta, a espada e, substituindo Baiano como alvo de sua ira, tio Cláudio.

Wagner é um bom ator, um dos mais talentosos de sua geração, ao lado de Matheus Nachtergaele, João Miguel e Selton Mello. Mas precisa urgentemente ampliar seu repertório, apostar em papéis diferenciados e estudar mais posturas e entonações.

Ele não merece ficar estigmatizado por um personagem. O Capitão Nascimento precisa ser exorcisado para não virar um encosto.

Wagner tem que se dedicar mais. Acredito que as carreiras paralelas de músico e de fotógrafo estejam tirando seu foco.

Espero que ele encontre novamente o caminho e se concentre exclusivamente como ator. Caso contrário a caveira do Bope – e não de Yorick – irá assombrá-lo pelo resto de sua carreira.